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    Em exposição no Goeldi, a Nova Idade do Homem na Amazônia

    Exposição “TRANSFORMAÇÕES: a Amazônia e o Antropoceno” abre nesta quinta (1/12), às 15h. Entre as atrações, vídeos, réplicas em tamanho real de áreas de floresta da região além de painéis interativos que convidam o público a pensar em um futuro mais sustentável para a Amazônia

    Agência Museu Goeldi - A vida existe no planeta Terra há cerca de 4 bilhões de anos. O homem atual se fez presente há cerca de 200 mil anos - e apenas nos últimos 70 anos, por exemplo, foi o autor de mudanças drásticas e irreversíveis na superfície terrestre. Por conta dessas e outras mudanças, parte da comunidade científica sugere que entramos em uma nova era geológica, o Antropoceno. E essa nova era agora tem nas atividades humanas, e não mais nos eventos naturais extraordinários, o seu grande motor.

    O Antropoceno é o tema da mais nova exposição do Um seu Goeldi: a mostra “TRANSFORMAÇÕES: a Amazônia e o Antropoceno”, será aberta nesta quinta (1/12), a partir das 15h, no Pavilhão Expositivo Domingos Soares Ferreira Penna, a “Rocinha”, localizado no Parque Zoobotânico, em Belém.

    A exposição é resultado das pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia, com sede no Museu Goeldi e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

    A abertura começa às 15h, com palestra do Dr. Peter de Toledo sobre o Antropoceno. Peter de Toledo é ex-diretor do Museu Goeldi e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A programação prossegue às 16h, com abertura oficial da exposição realizada pelo Dr. Nilson Gabas Jr., diretor do Museu Goeldi.

    Exposição – Em “Transformações”, o público encontrará réplicas em tamanho real de áreas naturais da Amazônia, conteúdos multimídia com informações científicas sobre mudanças climáticas, exemplares taxidermizados de espécies extintas, painéis digitais onde poderá ouvir o canto de espécies que não são mais encontradas em Belém, além de mergulhar em alguns dos critérios usados pelos cientistas para “medir” e fazer um diagnóstico da biodiversidade na Região. Todo esse percurso termina com um convite: como garantir um futuro sustentável, tendo em vista essas mudanças irreversíveis?

    A partir dessa pergunta e da realização de uma série de seminários públicos, será montada uma segunda sala, a “Sustentabilidade”, que deve abrir em julho de 2017. “Apresentamos muitos problemas e queremos discutir com especialistas e o público em geral algumas soluções. É isso que futuramente será exposto na sala Sustentabilidade”, pontua Horácio Higuchi, da Coordenação de Museologia do Museu Goeldi.

    Antropoceno - O público inicia o percurso expositivo por uma linha do tempo de painéis e vídeos sobre o trecho da história da Terra Chamado Fanerozóico, quando apareceram os primeiros grupos organizados de seres vivos, há 4 bilhões de anos, até chegar ao que se considera o Antropoceno.

    “Os geólogos dividem a história da Terra em distintas épocas. A ação do homem sobre a Terra é tão impactante, que a nossa época passou a ser denominada Antropoceno, ou nova idade do homem. Ela teria se iniciado em meados do século XX, entre as décadas de 1940 e 1950, quando houve dispersão de material radioativo após os testes com bombas nucleares, o que causou impacto significativo no planeta”, explica a ecóloga Ima Vieira, coordenadora do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia.

    Em outras palavras, as épocas geológicas da Terra são blocos temporais de tamanhos diferentes, definidos por fenômenos extraordinários que mudam o ambiente terrestre de maneira marcante e irreversível – como glaciações e divisão de continentes. No caso do Antropoceno, pela primeira vez uma única espécie seria responsável por mudanças sem volta no destino do planeta: o homem.

    “Algumas dos exemplos considerados para se perceber o Antropoceno são divertidos, como a proliferação de galinhas pelo mundo. Essas aves existem hoje em praticamente todos os países por conta das indústrias de ovos e carne. Alguns dizem que no futuro, os paleontólogos encontrarão fósseis de galinhas por todo o globo. Outros são mais sérios, como a presença irreversível do plástico por toda a superfície da terra, até no fundo dos oceanos mais profundos” pontua Horácio Higuchi.

    Amazônia – Desse ponto de partida, os visitantes poderão ver algumas das alterações provocadas pelo homem na Amazônia e perceber como elas se inserem em um processo de transformações globais. A exposição possui réplicas de áreas de floresta da Amazônia, desde a floresta primária (“intocada”), passando por trechos alterados por queimadas e também por áreas em recuperação (floresta secundária).

    Adiante, a exposição foca no chamado Centro de Endemismo Belém, área onde está inserida a cidade de Belém, mas que se estende desde o leste do Pará até o oeste do Maranhão. Um Centro de Endemismo significa que neste espaço ocorrem espécies que não existem em nenhum outro lugar da Amazônia ou do mundo. É justamente no Centro de Endemismo Belém que os ecossistemas amazônicos foram mais alterados: 70% das áreas de floresta já não existem.

    Como consequência, a exposição mostra espécies de aves, borboletas e outros animais extintos ou ameaçados, incluindo exemplares taxidermizados de aves como o grande gavião-real (Harpia harpyja). Oferece ainda informações sobre o impacto que a agropecuária tem não apenas no Centro de Endemismo Belém, mas em toda a Amazônia Legal.

    “Os grupos indígenas e as sociedades tradicionais também são atingidos pelas atividades transformadoras que têm devastado a floresta Amazônica. E com uma população reduzida a apenas um punhado de pessoas, esses grupos correm sérios riscos de desaparecerem”, conta a pesquisadora Ima Vieira.

    As consequências para as populações humanas são apresentadas na última parte da exposição, como os ataques de madeireiros e exploradores ilegais ao povo Ka’apor do Maranhão – incluindo uma réplica de uma habitação deste povo. É mostrado também o exemplo do estado de Rondônia, que possui uma diversidade linguística maior do que todo o continente europeu, mas cujos povos indígenas se encontram cercados e em constante conflito com o desmatamento e outras consequências trágicas por estarem inseridos em pleno arco do desmatamento – área que se estende do Maranhão, passando por todo o sul da Amazônia até o Acre.

     

    Serviço:

    Exposição “TRANSFORMAÇÕES: A Amazônia e o Antropoceno”

    Abertura: 1º de dezembro de 2016 (quinta), a partir das 15h

    Local: Pavilhão Expositivo Domingos Soares Ferreira Penna (Rocinha), no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi (Avenida Magalhães Barata, nº 376, bairro São Brás, Belém)

    Texto: Uriel Pinho